quinta-feira, 7 de julho de 2016

SENTIDO E REFERÊNCIA EM FRIEDRICH LUDWIG GOTTLOB FREGE.



SENTIDO E REFERÊNCIA EM FRIEDRICH LUDWIG GOTTLOB FREGE.





 O sentido da frase é o pensamento que ela vincula. (Ludwig Frege)
          Escrever sobre um campo da filosofia não é tarefa fácil, escrever sobre filosofia da lógica, se constitui mais complicado ainda, o meu objetivo no texto que se desenrolará, é mostrar de uma forma ampla o pensamento do intelectual Ludwig Frege, que para muitos, institui a noção de uma futura filosofia da lógica especificamente. No artigo sobre o sentido e a referência, Frege formula um problema cuja solução ele pretende que seja fornecida pela sua teoria sobre a distinção entre sentido e referência. Esse problema é geralmente denominado “Enigma de Frege”. O problema é formulado de tal forma que parece ser um problema relativo aos enunciados de identidade (da forma a=a ou a=b). Não obstante, ele pode ser reformulado de tal forma que, nele, os enunciados de identidade não desempenham nenhum papel. Em uma frase, um problema consiste como dois enunciados que parecem ser enunciados de uma mesma proposição podem ter valores cognitivos distintos. Dessa forma, a igualdade desafia a reflexão dando origem a questões que não são muito fáceis de responder. A solução oferecida por Frege baseia-se na sua teoria sobre sentido e referência. Segundo Frege, o conteúdo de toda expressão linguística possui dois componentes: o sentido e a referência. A referência de um nome é aquilo que ele nomeia aquilo no lugar do qual esse nome está na frase e o sentido de uma expressão é o modo de como a referência se apresenta. Meu objetivo aqui não é explicar esmiuçadamente toda a teoria a partir do sentido e referência em Frege, porque não me é apto discorrer sobre um pensamento tão complexo.
          Vamos nos ater a um exemplo, e, tentar destrinchar um pouco a teoria de Frege. No exemplo, a estrela da manhã é a estrela da manhã, percebe-se que o verbo ser estabelece uma relação de identidade entre dois sujeitos. Não há diferença nem distinção de sentidos. Já no exemplo, a estrela da manhã é a estrela da tarde, existe uma relação a=b, pois dois sentidos diferentes são usados para se referir a um mesmo objeto. Dessa forma. A consideração de que o sentido de uma expressão ou de uma sentença não se confunde com o objeto de referência que torna possível explicar como os valores cognitivos de a=a e a=b diferem.
        No artigo, Frege nos explica duas relações importantíssimas para entender as relações a=a e a=b. Por exemplo, a relação a=a significa uma relação analítica, que quer dizer que a verdade e óbvia, e, a relação a=b é uma relação descritiva, significa dizer que são extensões muitas valiosas de nosso conhecimento, e nem sempre podem ser estabelecidos a priori. O pensador nos leva a suscitar sobre um conceito muito importante, o conceito de referente. O referente é o objeto no mundo, que por sua vez, só pode ser alcançado a partir do seu sentido. Vamos pensar na cor vermelha, no Brasil, podemos dizer que atualmente ela suscita diferentes representações dependendo dos envolvidos. Para um militante do MST, vermelho significa luta pela conquista da terra, já, para um integrante do movimento ruralista, esta cor está ligada aos movimentos de esquerda, que por sua vez representa uma “desobediência civil” a uma ordem estabelecida, não a quebra de direitos, mas de privilégios. Nos dois casos, a cor – o referente do vermelho, não muda, não há um vermelho para o sem-terra e outro vermelho para o ruralista, o que muda é a forma de ver o vermelho. Entre a referência e a representação está o sentido, que não apresenta a mesma subjetividade da representação, mas também não é o objeto.
      Para finalizar a minha aventura teórica em Frege, o pensador nos diz que o objeto só é objeto quando existe referência, quando o objeto é real e concreto, por exemplo, como pensar uma referência para a sentença do tipo, Papai Noel tem uma barba longa e muito branca? Como pleitear um valor verdade para tal sentença? Segundo Frege, por não ser um objeto no mundo, um objeto real e concreto, por ser um nome sem referência e sem referente, não é possível dizer se é uma sentença verdadeira ou falsa. Desse modo, é a busca pela verdade que possibilita o movimento do sentido para a referência.

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