terça-feira, 11 de abril de 2017

A "crítica" te leva à "perfeição"?


Esses dias eu me deparei com essa expressão exposta no título e logo me pus a pensar no absurdo da interpretação e do recebimento desta possível falácia pela audiência. Em princípio, devemos avaliar cada aspecto e consequência que esta crença pode acarretar para o meio ao qual vivemos. Como acadêmico e amante do saber, involuntariamente me ponho a questionar e avaliar crenças diversas.
Para iniciar, o autor deve se perguntar: O que é crítica? Devemos entender que criticar não é algo vulgar como todos pensam, a crítica tem origem grega na palavra KRITIKOS, que têm variados significados, como capacidade para julgar, discernir e decidir corretamente, examinar racionalmente as coisas sem preconceito e sem prejulgamento. Dessa forma, criticar não é algo ruim, mas no sentido utilizado na frase exposta, com a intuição de apontar defeito, ofender ou utilizar de argumentos contra a pessoa e não contra a ideia (argumentum ad hominem), seria prejudicial ao meio a qual vivemos. Sendo assim, devemos ponderar minuciosamente, CRITICANDO (KRITICOS) de forma racional as pessoas.
Além disso, outra indagação necessária é a do que vem a ser perfeição, será que a perfeição existe? Obviamente, se avaliarmos pungentemente, a conclusão de que nada é perfeito é epifânica, haja vista que a perfeição é nossas avaliações internas sobre o mundo externo, ela existe no plano da individualidade, sendo assim subjetiva, pois o que eu considero perfeito é o que alguém pode considerar imperfeito. Porém, se a perfeição estiver determinada diante de padrões, ela já não é a própria perfeição, mas sim uma regra de trato social. Embora pareça algo complexo, perfeição está ligada, em sentido comum, à verdade, o que já nos leva, a saber, o que venha a ser a verdade, isso é muito mais amplo.
Por conseguinte, será mesmo que a crítica (sentido vulgar) te leva à perfeição (ser melhor em algo)? A resposta imediata é não! Cada pessoa tem uma reação diferente quanto a uma crítica vulgar, tem pessoas que ficam tão mal que podem desistir do que estão fazendo, isso não é fraqueza, e sim a sua personalidade de agir diante de uma crise, se isso fosse algo banal não existiria suicídios ou qualquer mutilação contra a própria integridade física, digo estas quando os sujeitos se ferem por estarem atingido por alguém. Há ainda aqueles que se sentem estimulados diante de uma critica vulgar, destrutiva ou construtiva, mas estes ainda assim passam por uma sobrecarga moral diante de uma ação crítica vulgar promovida por alguém.

Portanto, esta indagação discorrida nesta temática é antipedagógica, antiética e antimoral, pois estaríamos desprezando os conceitos de imperativismos de Kant, a Ética de Mario Sergio Cortella ou a benevolência de Jesus. Logo, a estória de que crítica te leva à perfeição não é mais do que uma falácia desprovida de metodologia, pedagogia ou ética, não comunga com os ideais de educação. Será que tu irias querer que seu chefe imediato vivesse te criticando vulgarmente? Tu aguentarias o ônus? Já diz James C. Hunter em seu livro O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança, liderar é reger, é amar, é servir.

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